Criação é experimentação. E experimentação é vivência.
Já falei do meu pão com manteiga, né? Puxei brasa pra minha sardinha dizendo ser pé-quente em concorrências. Mas tem mais: morei no interior, na capital, no litoral e até na serra. As cidades são meu laboratório de gente. Alma da comunicação. A temporada na serra é curiosa…
Plot twist
Quem nunca sonhou com um sabático criativo? Juntei minhas economias e parti pra escrever o romance que martelava na cabeça, na serra fluminense. Em Petrópolis, morei num verdadeiro cartão-postal: o Hotel Quitandinha. Nos anos 40, foi o maior hotel-cassino da América Latina (e até hoje corre a fama de mal-assombrado). Um clima digno de O Iluminado.


Foi um tempo de quase completo isolamento — e de uma certa loucura causada por ele. Os bastidores desse livro, aliás, renderiam outro. De volta a São Paulo, a viagem literária acabou parando na biografia da W/Brasil. Outra história real que parece ficção (…).
Com amigos de uma produtora, criei um teaser antes do ebook, batizado de ‘Heranças do Tio Vincent’ (a capa é a minha cara). Mergulhei literalmente no mundo mágico das palavras. Ser “escritor” me tornou um redator muito melhor.

Pinto no divã
Da literatura ao teatro. Histórias. Eu e uma diretora de arte recebemos do presidente da agência a missão de criar a comunicação de uma peça. Primeiro texto teatral do psicanalista e colunista da Folha, Contardo Calligaris (responsa). E o ator do monólogo ainda era amigo do chefe.
Assistimos ao ensaio em Higienópolis, na casa do Jô Soares! No táxi, lembrei do adolescente do interior vidrado no Onze e Meia. Tocamos a campainha, subimos, e lá estávamos.
O texto, ousadíssimo, era sobre a psique do homem contemporâneo. Termina, olhares em cima de mim. Soltei: “O espetáculo é o pinto no divã”. Silêncio. Contardo era psicanalista, oras. Entre seguro e arrependido, dobrei a aposta: “A comunicação tem que ser um pinto, no divã!”. Eles amaram (artistas ❤️). Depois, pediram versão light (clientes). O espetáculo encheu, a campanha ajudou.
Moral da história: ousar sem medo, depois se ameniza, sem perder o punch.

No forno
Vivemos tempos distópicos, e imaginei um livro sobre uma utopia que deu certo. As fronteiras entre nações foram abolidas e o slogan global ecoa em todo lugar: “O mundo de todo mundo”. Jovens viajam para se irmanar com outras culturas e há uma presidência mundial. Num balneário praiano, surge então uma voz capaz de mudar os ventos da história. Com a IA, criei um autor fictício — que terá blog e redes sociais para defender a ideia de um mundo de todo mundo.

Uma narrativa que vai além do livro e se transforma em experiência transmídia. Brincar com linguagens e tecnologia para ampliar o universo da história. Porque curto buscar o diferente e para tentar atrair o público leitor imaginado, jovem adulto. E, quem sabe, render matérias na imprensa — como nos outros projetos autorais. Em breve!

Quer saber mais sobre as histórias e causos?
É só dar um alô.